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Karina Younan

Karina Younan

SEM LEGENDA
Psicóloga clínica fala dos principais erros cometidos no início de uma relação, de sonhos fantasiosos comuns, como pelo “príncipe encantado”. No entanto, afirma que o romantismo não sai de moda, não sai das telas, não perde espaço, apesar de toda propaganda contrária

Por que, de modo geral, as pessoas sonham e projetam um relacionamento perfeito?
Penso que por duas razões. Uma delas pelo excesso de romantismo. A outra, pelo pouco investimento em sua própria força pessoal, em particulares vocações ou carreiras. O romantismo que herdamos da Idade Média e, até mesmo o arquétipo do herói, fez com que as pessoas cultivassem a ideia de que, em uma determinada etapa de suas vidas, apareceria alguém que as salvaria de seus problemas, fossem familiares, econômicos ou emocionais. O “príncipe”, o “cavaleiro de armadura”, o milionário, tanto faz. São projeções fantasiosas. Nesse sentido, as pessoas olham muito para fora, para aquele que chega, quando deveriam olhar para dentro e procurar saber quem são.

Atualmente, existe um contrassenso nesse comportamento? As pessoas estão mais “frias” em relação aos sentimentos?
Acredito que, hoje em dia, elas não estão mais frias, mas, existe uma atenção maior ao materialismo. As decepções trazem ressentimentos e cautela, o que é aprendizado. Mas, todo mundo quer um alguém.um companheiro(a)

Há quem busque suprir carências, no entanto, sem criar laços afetivos. Como analisa tal comportamento?

É uma ilusão, tanto quanto sonhar com um relacionamento perfeito. Costumo dizer q a biologia não respeita e não está nem aí para as nossas decepções ou nossos medos. Envolver-se é resultado de uma força maior, o que acaba acontecendo.

É possível afirmar que, nas últimas décadas o romantismo foi deixado de lado pela maior liberdade sexual?

De forma alguma. O romantismo não sai de moda, não sai das telas, não perde espaço, apesar de toda propaganda contrária. O romantismo é um clássico e sobreviverá aos descasamentos e toda a pregação sobre o fim das relações. O afeto fez a nossa sociedade prosperar e se desenvolver, não existe nada mais protetor.

Na sua opinião, quais são os maiores erros das pessoas ao iniciar uma relação?
Somos muito criativos ao errar. Começamos errando ao pensar no que um relacionamento pode nos trazer,  ao invés de pensar no que temos a oferecer. Esse é o ponto principal. Se estivermos carentes demais, estamos sempre precisando e não oferecendo. Outro ponto bastante negativo ao iniciar uma relação é desrespeitar a família do outro, bem como os excessos de controle, que são insuportáveis em longo prazo. Obviamente, a deslealdade com o parceiro, que considero o mal mais comum e leviano das relações, traduz-se em falar mal do companheiro, ao invés de apontar suas qualidades. Afinal, todos nós temos defeitos e quem está junto e quer ficar junto, precisa pensar nas qualidades do outro e ter gratidão.

Por que, hoje em dia, as pessoas confundem, com mais frequência, os sentimentos?
De certa forma, por carência, inferioridade, medo do futuro e da solidão. O medo é paralisante e temos sentido o peso de viver tempos de crise e ansiedades generalizadas, o que gera a confusão de sentimentos. Por isso é tão importante o autoconhecimento, para desvendarmos mais nossas reais necessidades e nossos sentimentos. Fora dos romances e dos épicos e já tumultuados por toda demanda social, as crises financeiras geralmente o fim a relacionamentos desgastados e sem objetivos em comum. Raramente o amor resiste a uma cabana. Por outro lado, as histórias que nascem em uma cabana e se unem em prol do bem comum, família, filhos e patrimônio levantado a quatro mãos, são realmente entusiasmantes.

Como você analisa o excesso de ciúme e quando ele se torna um problema na relação?

O ciúme é um sentimento universal. Embora algumas pessoas não reconheçam esse sentimento em seu dia a dia. O ciúme só é bom quando valoriza o parceiro, quando é dito de forma franca e pacífica, não um ataque ou projeção. Por exemplo, há quem diga: "Amor, que ciúme sinto de você sair de casa tão lindo assim!" Tem coisa melhor? Mas, para isso é preciso que exista confiança e amizade. A fase em que se torna um problema é quando passa a gerar agressões, físicas ou emocionais, quando há sofrimento e desgastes.

As redes sociais costumam atrapalhar as relações? Como é possível lidar com quem não permite que o parceiro ou a parceira faça parte das redes?

As redes sociais já são as maiores causas de desavenças entre casais. Costumo dizer que o “whatsapp” é o novo celeiro da paranoia conjugal, pois permite o acesso a conversas e faz com que, muitas vezes, as interpretações ocorram de forma indevida, e até maldosa. Os relacionamentos superficiais e de trabalho antes eram mantidos no terreno da privacidade. Hoje temos o acesso e o julgo do companheiro sobre ações que pouco tem a dizer sobre "como vamos nós".

Em resumo, quais os segredos dos bons relacionamentos?
Muitos estudos indicam - e tenho publicado a respeito - que são generosidade e respeito; questões óbvias, porém difíceis de serem observadas. As pessoas que vivem bons relacionamentos não passam por problemas menores, elas lidam melhor com os problemas. Tem bondade para o companheiro, colocam-se no lugar do outro, pensam em fazer por ele e querem ver o companheiro sentir-se bem, estando perto ou longe. As pessoas pensam que o amor é uma questão de achar, quando, na verdade, é puro fazer.



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