EDIÇÃO 185

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Dra. Leisa Barbosa De Araújo

ESPECIAL TERCEIRA IDADE
Artigo | Dra. Leisa Barbosa De Araújo
Foto: Leandro Augusto



A importância da Psicogeriatria


No início do século XX, a expectativa ao nascer não ultrapassava 40 anos, os jovens representavam 45% da população e menos de 3 em cada 100 brasileiros eram idosos. Num cenário atual, com previsão para 2020, de uma expectativa de vida alcançando 70 anos para homens e 76 anos para as mulheres, chegaremos a 10% de idosos na população, com estabilização da proporção entre jovens e idosos (17 % e 21% respectivamente) em 2050. Conhecida como a década do cérebro, os anos 1990 trouxeram novos conhecimentos por meio de pesquisas nas áreas da Psiquiatria, Neurologia, Geriatria, Diagnósticos por imagem, Genética, Farmacologia, Neuropsicologia. É natural que um aumento tão significativo da longevidade traga consigo a necessidade de uma composição específica de conhecimento, para compreender e tratar essa população especial. Ao completar 80 anos em 2020, um brasileiro pode esperar alcançar os 88 anos. E a Psicogeriatria, área da Psiquiatria que estuda os transtornos mentais e comportamentais na população idosa, contribui de forma significativa para minimizar o impacto da transição demográfica sobre a qualidade de vida dessa população. O impacto social e econômico advindo do não-reconhecimento e da consequente falha no tratamento dos transtornos mentais e comportamentais desse grupo específico é muito alto. Nos idosos, a depressão cursa com apresentação ampla de sintomas físicos, ou somáticos. A presença frequente de comorbidades clínicas e/ou neurológicas faz com que muitos idosos não procurem pelo especialista, o Psicogeriatra. Dessa forma, o seguimento apenas com o clínico geral, pode vir acompanhando por um subdiagnóstico de depressão. Estudos recentes observaram que quase todos os pacientes deprimidos (96,4%) tiveram contato com o seu clínico geral nos 12 meses que antecederam a visita ao Psiquiatra, e somente 20,8% receberam corretamente o diagnóstico de depressão. Um diagnóstico preciso é o recurso inicial para o enfrentamento dos estressores na senilidade. Diante da perspectiva psicológica do envelhecimento, o desenvolvimento pessoal se estende até o final da vida, e a adaptação saudável dos indivíduos permite a manutenção do bem-estar. Frente ao confronto com situações insolúveis, os idosos não se limitam apenas à resignação, mas são capazes de responder efetivamente às demandas da vida. No processo dinâmico da adaptação diante do enfrentamento de desafios, o impacto ante uma situação estressora pode ser reduzido por meio da reestruturação de seu significado. Para isso, é fundamental que o idoso perceba a existência de um suporte adequado, bem como sustente o senso pessoal de controle sobre aspectos da vida considerados importantes. O cuidado com a saúde mental, contemplando as interfaces com as particularidades dessa fase de vida é fundamental para a preservação do bem-estar. 






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